Serenata é uma obra icônica realizada no retorno de Di Cavalcanti ao Brasil, após sua primeira viagem a Paris. Nela já está presente a representação de tipos e cenas cariocas que iria definir sua produção posterior.
A imagem tem como pano de fundo uma marinha com barcos a vela, mas se reporta à musicalidade dos morros cariocas, onde o pandeiro e o violão homenageiam uma mulher, cujas formas femininas tomam a composição e são destacadas por uma volumetria com influência da estética art déco. O cromatismo tem predominância do azul e rosa, cores que imprimem certo romantismo à cena, e que em representações posteriores seriam substituídas por tons mais ocres.
Curadora: Denise Mattar
Suite Tropical é uma seleção de dez obras de Di Cavalcanti realizadas em serigrafias certificadas por Elisabeth di Cavalcanti, reunidas com o propósito de ampliar o acesso do público à visualidade intensa e calorosa de um dos grandes nomes da arte brasileira. O conjunto se estrutura como uma constelação de imagens em torno de temas caros ao artista: o corpo, a festa, o cotidiano, as mulheres, os ritmos da cor e da vida. O título suíte é uma referência à forma musical que evoca uma sequência de movimentos harmônicos, mas também uma expressão que dialoga com a tradição de grandes séries gráficas da arte, como a Suíte Vollard, de Pablo Picasso, e a Suíte Pernambucana, de Cícero Dias, ambas marcadas pela ideia de conjunto como variação e permanência. Ao tornar essas imagens acessíveis, a suíte reivindica o direito ao encantamento, transformando a contemplação em ato democrático. Com atmosfera sensível e paleta ardente, Di Cavalcanti pinta o Brasil com olhos de quem o conhece por dentro. Suas figuras são paisagens humanas, sínteses do trópico em sua plenitude sensual e simbólica. Suíte Tropical é, assim, uma partitura visual em que cada obra soa como um acorde, ora lírico, ora vibrante, de um Brasil que canta e resiste em cor e forma.
Assinada canto inferior direito (póstuma)